CFP repudia psicólogo Silas Malafaia

sábado, 9 de fevereiro de 2013 | 18:02 | Por 11 comentários
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta publicamente seu repúdio às declarações do líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, feitas no último domingo (3/2), durante um programa de entrevistas exibido pelo SBT. Em sua participação, o pastor evangélico agrediu a perspectiva dos Direitos Humanos a uma cultura de paz e de uma sociedade que contemple a diversidade e o respeito à livre orientação – objetos da atuação da Psicologia, que se pauta na defesa da subjetividade das identidades.

Confira a entrevista completa:

As declarações de Malafaia, que é graduado em Psicologia, afrontam a construção das lutas da categoria ao longo dos anos pela defesa da diversidade. É lamentável que exista um profissional que defenda uma posição de retrocesso que chega a ser quase inquisitório, colocando como vertentes do seu pensamento a exclusão e o preconceito na leitura dos Direitos Humanos.

Ao alegar que a homossexualidade é uma questão de comportamento, o pastor se mostra contrário às bandeiras levantadas pela Psicologia, especialmente no que tange a Resolução CFP nº 001/99, estabelece normas de conduta profissional para o psicólogo na abordagem da orientação sexual, visando garantir um posicionamento de acordo com os preceitos éticos da profissão e a fiel observância à promoção dos direitos humanos. Considera que a homossexualidade não constitui doença, desvio ou perversão, posto que diferentes modos de exercício da sexualidade fazem parte das possibilidades de existência humana.

O dispositivo busca contribuir para o desaparecimento das discriminações em torno de práticas homoeróticas e proíbe as psicólogas (os) de proporem qualquer tratamento ou ação a favor de uma ‘cura’, ou seja, práticas de patologização da homossexualidade. Infelizmente, nada disso soa em consonância com o discurso de Silas Malafaia.

A Resolução declara, ainda, que é um princípio da (o) psicóloga (o) o respeito à livre orientação sexual dos indivíduos e o apoio à elaboração de formas de enfrentamento no lidar com as realidades sociais de maneira integrada. É dever do profissional de Psicologia fornecer subsídios que levem à felicidade e o bem-estar das pessoas considerando sua orientação sexual.

Esse tipo de manifestação da homofobia na sociedade brasileira contribui para a violação dos direitos humanos de parcela significativa da população. Vale lembrar que esses tipos de casos resultaram, no ano de 2011, em 278 assassinatos motivados por orientação sexual, de acordo com o Disque Direitos Humanos (Disque 100).

Dessa forma, podemos entender que a construção sócio-histórica da figura do homossexual como anormal que precisa ser corrigido e, por vezes, exterminado para a manutenção dos valores e do bem estar social, ainda se faz presente em nossa sociedade. Entretanto, a violência destinada a sujeitos que têm suas sexualidades consideradas como ‘desviantes’ não se resume a agressões e assassinatos. De fato, tais manifestações só se tornam possíveis a partir de uma rede de discursos que os colocam como inferiores, vítimas de sua própria existência. Esses discursos e práticas são, então, ações de extermínios de subjetividades indesejadas.

Com base nessa realidade, é também uma tarefa da Psicologia contribuir para o enfrentamento da homofobia e suas repercussões sociais. A importância dessa ação é tanta, que em novembro de 2012 o CFP assinou um termo de cooperação com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) para tratar do tema por meio de Comitês de Enfrentamento à Homofobia e da Campanha Faça do Brasil um Território Livre da Homofobia.

A atitude desrespeitosa de Malafaia com homossexuais ressalta um tipo de comportamento preconceituoso que não se insere, em hipótese alguma, no tipo de sociedade que a Psicologia vem trabalhando para construir com outros atores sociais igualmente sensíveis e defensores dos Direitos Humanos. O Brasil só será um país democrático, de fato, se incorporar valores e práticas para uma cidadania plena, sem nenhum tipo de discriminação.

Referência: CFP
*Leia também: Compromisso Social da Psicologia
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11 comentários:

  1. ...E só será um país sério quando a MAIORIA e não uma poderosa MINORIA for tratada com respeito. Pago meus impostos, trabalho, produzo e sou ignorado como cidadão por tudo quanto é órgão de imprensa de internet ou TV, que dão a impressão que para ser prioridade ou ser defendido neste país tem que ser gay ou prostituta. De Gaulle estava mais que certo: Não somos um país sério. A ditadura gay já encheu o saco.

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    1. Não se preocupe, assim que você for espancado na rua por ser heterossexual iremos defende-lo... Enquanto isso apenas repense seus pensamentos...

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    2. O Sr. é ignorado como cidadão por não ter nada relevante a dizer. Ademais, um indivíduo que se auto-intitula "Maninho" certamente não quer ser levado a sério. A ditadura da ignorância, que reina no Brasil e no mundo há séculos, me incomoda muito mais que a dos homossexuais.

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    3. Sempre fui a favor de uma lei para todos, mas com o tempo e com os comentários agressivos, que se refletem em pura exteriorização de ódio, intolerância e ignorância sobre o assunto, onde muitas vezes o que é criticado nem é o assunto e sim a condição sexual de quem comenta, hoje sou completamente à favor!

      Sou hétero, e também pensava que muito dessa campanha soava como "ditadura gay", onde uma minoria queria direitos especiais, como se fossem melhor do que todos os outros, inclusive eu ou você.

      Então parei de repetir conceitos prontos e inventados pelos opositores e passei a pesquisar mais. A quantidade de posts que li com comentários idiotas do tipo "Tem tudo que morrer", "Esses viados vão queimar no inferno", "porrada é pouco, tinha que matar" e por ai a fora, ou seja, só sendo hipócrita para ver tanto ódio gratuito e continuar achando que esta tudo bem e que crimes com motivos homofóbicos não precisam de nenhum regimento próprio, como se matar alguém apenas por sua orientação sexual fosse o mesmo que um latrocínio.

      E se sua maior indignação é porque como cidadão você sente que muitos dos seus direitos estão sendo ignorados, então você está do lado errado do sistema, pois ao negar direitos a outros grupos você não só esta agindo conforme os que você critica, como ainda os ajuda a perpetuar os abusos com todos os outros grupos.

      Respeito tem que ser dado para ser exigido.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ele só foi repudiado por ser contra a prática homossexual,coisa que a cfp é plenamente a favor.

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  4. a única preocupação deste inquisitor é o dízimo a oferta a doação e o dinheiro que entra para os cofres da igreja este homem não esta nem um pouco preocupado com a alma humana e sim com os valores que pode ele arrancar de pessoas que ele obriga em pensar como ele próprio, pois uma pessoa realmente amorosa ao Pai criador, jamais iria afrontar seu semelhante, LAVAGEM CERABRAL E LAVAGEM DE DINHEIRO TIRANDO DE PESSOAS HUMILDES E SIMPLES O POUCO QUE TEM PARA AGRADAR NÃO À DEUS MAS A SI PRÓPRIO E SUA CONGREGAÇÃO MINISTERIAL.

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  5. Esse sujeito usa toda sua inteligencia e sua habilidade comunicativa apenas para tirar dinheiro dos humildes e pessoas burras, que acreditam nesse falso profeta. Contudo o capeta está olhando tudo que ele faz... aguardem...

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  6. VEJO A INTOLERANCIA DAS PESSOAS CONTRA O pastor SILAS ,JA ENCHEU O SACO. AS PESSOAS SABE QUE ELE NAO É A FAVOR DA UNIAO GAY E TODOS OS APRESENTADORES INSISTAM FAZER PÉRGUNTA DESSE TIPO ,O POVO IGNORANTE NINGUEM PODE PENSAR DIFERENTE TEMOS QUE PENSAR TUDO IGUAL...

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    1. Intolerância é escrever em Caps Lock, achando que o que você diz é mais importante do que os outros!

      Silas não esta sendo repudiado ou mesmo criticado por não gostar / aceitar variações de orientação sexual, e sim por se valer de ser formado em psicologia, para explanar falsos conceitos que nem mesmo a psicologia concorda, e pior, descambou para o campo da genética falando uma série de asneiras.

      A verdade é que se Silas ou qualquer outro representante religioso deseja dizer aos seus seguidores o que é certo ou errado, que o faça apenas pela ótica religiosa, agora partir para a ciência com estudos falsos / incompletos e sem fontes fidedignas é pedir para ser rechaçado por quem realmente estuda e atua nesta área.

      E sim, as pessoas podem pensar diferentes, só não podem se valer de falsos argumentos para enganar incautos à pensarem e agirem como ele.

      De tudo que você GRITOU ai em cima a única coisa que é certo é que: todos sabem o quanto o Silas é intolerante e o quanto suas opiniões são prejudiciais por estarem embasadas em teorias falsas e deturpadas por ele próprio, então dar espaço pra ele abrir a boca em rede nacional é ser cúmplice da insanidade.

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  7. Por favor, LEIAM, e se possível compartilhem. Eu não discuto com os argumentos religiosos do pastor (apesar de não aprová-los), mas quando ele se apropria da função de Psicólogo para falar mentiras em nome desta ciência (que é minha profissão), eu desaprovo totalmente. Infelizmente o Conselho de Psicologia não apresentou uma resposta científica a esse pastor, se limitando a falar sobre direitos humanos. Seria bom que um número considerável de pessoas se informassem
    através de dados científicos da Psicologia. Acessem (agradeço se compartilharem, pois justo informações científicas importantes e esclarecedoras):

    www.facebook.com/photo.php?fbid=429044113845578&set=a.3564056
    11109429.85550.100002199780020&type=1

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