Redução de danos no tratamento da dependência química

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 | 13:54 | Por 1 comentário
A ideia do tratamento baseado na redução de danos, que vem sendo adotada como política pública de saúde em diversos países, é de, basicamente, trabalhar com o dependente químico a questão de reduzir gradativamente o grau de dano provocado pelas drogas. Uma das formas de se fazer isso é a substituição de uma droga por outra menos prejudicial à saúde do sujeito.

O psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp em São Paulo, realizou um estudo interessante sobre isso com usuários de crack, o qual foi publicado na Journal of Psychoactive Drugs.

A maconha, apesar do mito da "porta de entrada" para o consumo de outras drogas mais nocivas, é utilizada nesse método para auxiliar dependentes de crack. A equipe de Xavier acompanhou 50 dependentes de crack que relataram usar cigarros de maconha para atenuar a sensação de "fissura" pelo crack, como é chamado o forte desejo de consumir a droga. Ele observou que 68% deles conseguiram abandonar o vício pelo crack e, posteriormente, por conta própria, deixaram de utilizar a Cannabis.

O mito da porta de entrada:
Estudo mostra que maconha pode ajudar
no tratamento de dependentes de crack
Em uma reportagem publicada no site da Mente e Cérebro, o pesquisador comenta sobre: "A questão não é ser contra ou a favor. Trata-se de ampliar o conhecimento sobre as propriedades neuroquímicas dos canabinoides e sobre sua ação no cérebro, para permitir o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes",
(...) Quando questionados sobre a primeira substância que usaram, a grande maioria dos dependentes de crack ou cocaína cita o álcool. Da mesma maneira que muitas pessoas usam somente essa última substância ao longo da vida, muitas o fazem também com a maconha."

No entanto, o psiquiatra também comenta que, apesar de não ter encontrado embasamento para a crença popular de que a maconha leva ao consumo de outras drogas mais pesadas, o potencial da Cannabis como "droga de substituição" em períodos de abstinência não quer dizer que seu uso recreativo seja seguro - na adolescência, diversos estudos comprovam que esse consumo pode ter consequências graves para o desenvolvimento neurológico.

Essa questão da redução de danos costuma gerar bastante polêmica, pois muitas vezes o tratamento tradicional é visto como o mais seguro e "ético". Mas é importante salientar que nem sempre ele funciona. A ideia da redução de danos, basicamente, é que apesar de não conseguirmos o ideal (que seria o dano zero à saúde do sujeito), que tentemos então ir diminuindo o dano causado pela dependência, gradativamente, até que o sujeito melhore significativamente a sua qualidade de vida. É interessante que cada vez mais pesquisas sobre isso estão sendo realizadas, pois a questão da dependência do crack está cada vez mais complicada na nossa sociedade, e precisamos cada vez mais de opções de tratamento para serem adaptados às diferentes demandas que surgem nos pacientes.

Leia também:
* Consumo de Drogas na Gravidez III: Nicotina, Maconha e Cocaína
* Campanha: Drogas e Cidadania
* Lei de Drogas: É Preciso Mudar

Referência: Mente e Cérebro
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Um comentário:

  1. engraçado, as igrejas sao as q mais ajudam pessoas dependendentes e mesmo assim sao apredejadas. nao se dao conta de quanto bilhoes de reais em tratamento gasto sao poupados... eta lugarzinho esse nosso.

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