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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Introdução ao Behaviorismo

A palavra "Behaviorismo" vem de "behavior", em inglês, que se refere ao comportamento. A teoria também é conhecida por comportamentalismo, teoria comportamental, análise experimental do comportamento, análise do comportamento, etc. O behaviorismo surgiu como uma proposta para a Psicologia, para tomar como seu objeto de estudo o comportamento, pois este é visível e, portanto, passível de observação por uma ciência positivista. É a parte da psicologia que vai dizer que o meio determina o sujeito. A sua meta é a previsão e controle do comportamento.

John B. Watson
O termo "Behaviorismo" foi utilizado inicialmente em 1913 em um artigo denominado “Psicologia: como os behavioristas a vêem” por John B. Watson. O Behaviorismo nasceu como uma reação ao mentalismo, ao introspeccionismo e à Psicanálise, que tentavam lidar com o funcionamento interior e não observável da mente.

J. B. Watson (1878-1958) é considerado o autor do behaviorismo, mas é necessário dizer que Watson foi, na verdade, o porta-voz dessa abordagem, devendo ser lembrado que antes de Watson, dois pesquisadores deram os primeiros passos dessa abordagem: o americano E. L. Thorndike (1874-1949) e o russo Ivan Pavlov (1849-1936).

Na Idade Média, a igreja explicava a ação e o comportamento do homem pela posse de uma alma. Depois, os cientistas o faziam pela existência de uma mente. As faculdades ou capacidades da alma causavam e explicavam o comportamento do homem. Os objetos e eventos criavam idéias em suas mentes e essas idéias geravam seu comportamento. Veja que ambas são posições essencialmente dualistas: o homem é concebido como tendo duas naturezas, uma divina e uma material, ou uma mental e uma física, como preferir. Além disso, note a circularidade do argumento: ao mesmo tempo em que essa alma ou mente causavam e explicavam o comportamento, esse comportamento era a única evidência desta alma ou desta mente.

Ao mesmo tempo em que os psicólogos tentavam fazer da psicologia uma ciência objetiva, a teoria da evolução estava tendo um efeito profundo sobre a psicologia ao definir os seres humanos não mais como entes separados das outras coisas vivas, dando a todas as espécies a mesma história evolutiva. Presumia-se assim, que poderia também se ver a origem de nossos traços mentais em outras espécies, mesmo que de forma mais simples e rudimentar. Por conta disso, no final do século XIX e início do século XX, alguns psicólogos passaram a conduzir experimentos com animais.

Watson é conhecido como o pai do Behaviorismo Metodológico ou Clássico, que crê ser possível prever e controlar toda a conduta humana, com base no estudo do meio em que o indivíduo vive e nas teorias de Pavlov sobre o condicionamento – a conhecida experiência com o cachorro, que saliva ao ver comida, mas também ao mínimo sinal, som ou gesto que lembre a chegada de sua refeição. Mas nem toda conduta individual pode ser detectada seguindo-se esse modelo teórico, daí a geração de outras teses.

Comportamento é o observável e, por definição, observável pelo outro, isto é, externamente observável. Comportamento, para ser objeto de estudo do behaviorista, deve ocorrer afetando os sentidos do outro, deve poder ser contado e medido pelo outro. O sentido de "Behaviorismo" foi sendo modificado com o correr do tempo e hoje já não se entende o comportamento como uma ação isolada do sujeito, mas uma interação entre o ambiente (onde o "fazer" acontece) e o sujeito (aquele que "faz"), passando o "Behaviorismo" a se dedicar ao estudo das interações entre o sujeito e o ambiente, e as ações desse sujeito (suas respostas) e o ambiente (os estímulos). Por exemplo, a aprendizagem é descrita como uma mudança no comportamento observável, devido à alteração da força com que a resposta está associada a estímulos externos ou estímulos internos no corpo. Aprendizagem = Condicionamento. Se queremos que uma pessoa aprenda um comportamento, devemos condicioná-la a uma aprendizagem.

Ivan Pavlov
A palavra "estímulo" veio de Pavlov (outra influência sofrida por Watson e os behavioristas da época e da qual também Skinner não conseguiu se livrar) e referia-se à troca de energia entre o ambiente e o organismo, quanto à operação realizada pelo experimentador em seu laboratório, uma parte ou mudança em parte do mundo físico que causava uma mudança no organismo ou parte do organismo, a resposta. Essa mudança observável no organismo biológico seria o comportamento. Comportamento = Estímulo + Resposta. A manipulação experimental por excelência seria a reprodução desse modelo, a operação "S -> R".
S = o estímulo do ambiente (estímulos)
R = resposta ou o comportamento do indivíduo como resultado de uma estimulação.

Skinner e o Comportamento Operante

Após Watson, o mais importante behaviorista foi B. F. Skinner.

B. F. Skinner
Skinner criou, na década de 40, o Behaviorismo Radical, como uma proposta filosófica sobre o comportamento do homem. Ele foi radicalmente contra causas internas, ou seja, mentais, para explicar a conduta humana e negou também a realidade e a atuação dos elementos cognitivos, opondo-se à concepção de Watson, que só não estendia seus estudos aos fenômenos mentais pelas limitações da metodologia, não por eles serem irreais. Em resumo, ele acredita que o indivíduo é um ser único, homogêneo, não um todo constituído de corpo e mente. Enquanto a principal preocupação dos outros eram os métodos das ciências naturais, a de Skinner era a explicação científica definindo como prioridade para a ciência do comportamento, o desenvolvimento de termos e conceitos que permitissem explicações verdadeiramente científicas. A expressão utilizada pelo próprio Skinner em 1945 tem como linha de estudo a formulação do "comportamento operante".

O condicionamento operante explica os comportamentos aprendidos durante a ontogenia do organismo. A diferença fundamental entre o condicionamento clássico e condicionamento operante é que o segundo pressupõe um ser ativo no seu ambiente.

Crítica e defesa do Behaviorismo

O behaviorismo não ocupa mais um espaço predominante na Psicologia, embora ainda seja um tanto influente nesta esfera. Os críticos dizem que o behaviorismo simplifica demasiado o comportamento humano e que vê o ser humano como um autômato ao invés de uma criatura com vontade e metas. O desenvolvimento das Neurociências, que ajuda a compreender melhor, hoje, o que ocorre na mente humana em seus processos internos, aliado à perda de prestígio dos estímulos como causas para a conduta humana, e somado às críticas de estudiosos renomados como Noam Chomsky, o qual alega que esta teoria não é suficiente para explicar fenômenos da linguagem e da aprendizagem, levam o Behaviorismo a perder espaço entre as teorias psicológicas dominantes.
"Quando lidamos com seres humanos dotados de vontade livre, nossa predição e controle falham. O homem tem liberdade de escolha." (Lundim, 1977)
 Independente do que os críticos dizem, a abordagem comportamentalista exerceu uma forte influência na Psicologia aplicada, principalmente nos Estados Unidos, levando ao estudo de problemas reais relativos a comportamento. E uma vez que aprendizagem é uma forma de mudança de comportamento, o procedimento de modificação de comportamento desenvolvido pelos comportamentalistas foi útil a muitos professores.  

# ...

Por hoje, deixarei essa introdução. Outros dias abordarei de forma mais aprofundada alguns dos temas introduzidos, como o comportamento operante, respondente, os reforços, punições e etc.

Leia também:
*Introdução ao Behaviorismo II: Condicionamento Clássico

Para quem quiser ler mais sobre o tema, indico o Capítulo 03 do livro Psicologias, de Ana Merces Bahia Bock, Odair Furtado e Maria de Lourdes.
Na parte dos filmes, indico Truman: O Show da Vida, para abrir debate sobre o controle social do comportamento. Até que ponto somos livres? Nossa vida é menos controlada do que a de Truman?
E, por fim, o filme Cão de Briga, que ilustra bem o comportamento induzido pelo meio. Depois, sugiro que leia a ánalise Cão de Briga e Behaviorismo.

3 comentários:

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  2. Mas não que Skinner negue a existência de eventos mentais, sentimentos, sensações e ideias, basta atentar aos conceitos de ‘comportamento encoberto’ e ‘eventos privados’. O que o Behaviorismo Radical questiona é o papel de tais eventos na determinação da conduta humana, uma vez que um pensamento ou sentimento são comportamentos também e, portanto, devem ter suas próprias explicações.

    “O mito da liberdade”, ledo engano da massa alienada, e porque não dizer condicionada, acreditar em livre arbítrio e tudo o mais, a própria imagem dos objetos sendo inseridos na cabeça do homem ilustra bem isso. “Sou livre à medida que controlo as condições que me controlam”. Ou seja, liberdade nada mais é que um exercício de autocontrole, determinação que podemos infligir em nosso próprio ambiente que por sua vez nos determina. Ou ainda, pode ser descrita como uma classe de comportamentos, por exemplo, os comportamentos de fuga e esquiva, ou quando nos “livramos” de estímulos aversivos, sendo reforçados negativamente.

    Quando contrastado com o seu “oposto”, só há três países onde a Psicanálise é o poder majoritário em Psicologia: Brasil, Argentina e França.
    Quanto ao senhor Noam Chomsky, mais que um dualista, o célebre linguista apela para o sobrenatural para embasar sua Gramática Gerativa, a teoria que ele diz ter desbancado o Behaviorismo Radical. Quando se trata de linguagem, nada melhor que “O comportamento verbal”, inclusive para se entender melhor os ditos ‘comportamentos internos’, tal qual o pensamento.

    Mais sobre o senhor Chomsky aqui: http://olharbeheca.blogspot.com.br/2011/09/chomsky-for-ever-alone.html

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