Talcott Parsons e o Funcional Estruturalismo

domingo, 8 de abril de 2012 | 21:19 | Por Comente!
Um pouco de Sociologia.

Talcott Edgar Frederick Parsons formou-se em Biologia e Filosofia na Faculdade de Amhest. Serviu a Universidade de Harvard entre 1927 e 1973; Foi figura central no Departamento de Sociologia de Harvard e criador do Departamento de Relações Sociais. Representante mais destacado do estrutural-funcionalismo e um dos mais importantes sociólogos, de grande influencia nas décadas de 1950 e 1960.

“Um sistema deve se adaptar a um ambiente, atingir seus objetivos integrar seus componentes e manter seu modelo latente.”
Talcott Parsons defendia ser possível realizar o aperfeiçoamento gradual do capitalismo e construir sociedade capitalista ideal, desafiava o pessimismo de Weber e Sombarl em relação ao capitalismo. Com o desenvolvimento das Ciências, a tecnologia poderia modificar o capitalismo sem desaparecer com suas estruturas, no entanto precisaria para uma sociedade moderna a revolução Democrática, Industrial, e Educacional.

Ele acreditava que a nova sociedade precisaria ser Profissional e Meritocrática, ou seja, o individuo era qualificado de acordo com seus esforços, diferente de Marx na sociedade de lucro privado, ou a não burocrática de Weber.

Aproxima-se de DURKHEIM e transforma a sociologia numa ciência identificada como um sistema de integração social.

Talcott era obsessivo por determinar a função dos indivíduos na estrutura social, inclusive isso foi motivo de críticas, pois ele só visava a política como instrumento de garantia do bom andar do todo, jamais como instrumento de transformação ou mudança. Para ele, o sistema, como um corpo biológico, deveria ser estável e harmonioso, então um individuo deveria manter e preservar a estrutura em que estivesse inserido, portanto, Parsons enxergava qualquer comportamento como protesto ou greve como perturbadores, pois atrapalhavam o todo.

Um exemplo de sistema seria a organização de um formigueiro, onde o papel do operário e da rainha-mãe esta devidamente pré-determinado e ordenado em manutenção e aperfeiçoamento de um sistema maior.

O Sistema AGIL

O Paradigma Agil é uma teoria dentro do funcional estruturalismo. Parsons desenvolveu suas ideias durante um período em que Teoria dos Sistemas e Cibernética estavam na linha de frente da ciência social e comportamental. Pensando sobre o uso de sistemas, postulou que os sistemas relevantes tratados na ciência social e comportamental eram "abertos", significando que eles estariam embutidos em um ambiente consistido de outros sistemas. O maior sistema é o "sistema da ação", consistindo em comportamentos humanos inter-relacionados, embutidos em um ambiente físico-orgânico.

Sua obra pode ser dividida em três momentos, a saber: a) no primeiro momento, o autor desenvolve sua teoria da ação social; b) numa segunda etapa dedica-se a sistematizar essa teoria da ação social objetivando universalizá-la, tornando-a uma teoria geral da ação; c) no terceiro e último momento, Parsons busca aplicar essa teoria geral da ação a outros campos de conhecimento das ciências sociais, introduzindo elementos evolucionistas que o aproximam de Comte e Spencer.

Se a sociedade foi entendida por Durkheim como um organismo, a partir de Parsons passa a ser entendida como sistema.

O procedimento adotado por ele para analisar esse sistema e seus subsistemas é o chamado "Paradigma AGIL". Para sobreviver ou manter um equilíbrio respeitoso com o seu ambiente, um sistema deve se adaptar ao ambiente, atingir seus objetivos, integrar seus componentes e manter seu modelo latente. Esses são os imperativos funcionais do sistema.

No caso de se analisar um sistema de ação social, o paradigma AGIL, de acordo com Parsons, contém quatro subsistemas inter-relacionados e interpenetrantes: 
  • O comportamento de seus membros (A)
  • A personalidade de seus membros (G)
  • A sociedade como um sistema de organização social (I)
  • A cultura dessa sociedade (L). 
Para analisar a sociedade como um sistema social (o subsistema de ação I), as pessoas devem ordenar papéis associados a posições.

Essas posições e papéis se tornam diferenciados em alguma extensão e em uma sociedade moderna são associados a coisas como papéis ocupacionais, políticos, judiciários e educacionais.

Considerando a inter-relação desses papéis especializados assim como coletividades funcionalmente diferenciadas (firmas, partidos políticos, etc.), a sociedade pode ser analisada como um complexo sistema de subsistemas funcionais interligados, sendo eles:
  • A economia - adaptação social para os seus sistemas ambientais de ação e não ação.
  • A política - atingir o objetivo social.
  • A comunidade social - a integração de seus diversos componentes sociais.
  • O sistema fiduciário - processos e unidades que reproduzem a cultura social.
Assim, a sociedade para Parsons é um sistema estruturado baseado em quatro subsistemas: o cultural, o social, o econômico e o político. Enquanto sistema, a sociedade tem imperativos funcionais sem os quais a sobrevivência social estaria ameaçada, são esses: a adaptação, consecução de objetivos, a integração e a manutenção estrutural.

Com efeito, a sociedade enquanto sistema adapta-se ao meio ambiente no qual está inserido (base material). Os objetivos a alcançar (sistema político) definem a relação entre sistema e meio ambiente. A integração (sistema educacional) regula as relações entre as unidades que compõem o sistema. E por fim, a manutenção estrutural pela educação dos modelos culturais responde pela sobrevivência e manutenção da vida social, por meio de um complexo sistema de normas e valores (na família/pela elite no poder).

Como bem ilustra Sander, “a economia é a unidade funcionalmente diferenciada que satisfaz as necessidades de adaptação da sociedade. A política é a unidade que tem por função a consecução dos objetivos da sociedade. O imperativo funcional da comunidade social é a integração dos elementos componentes da sociedade. Finalmente, a cultura satisfaz as necessidades de manutenção estrutural da sociedade”

As análises mais elaboradas de Parsons sobre análises de sistemas funcionais usando o paradigma AGIL aparecem nos livros Economia e Sociedade e A Universidade Americana.

Parsons contribuiu para o campo do Evolucionismo Social e Neoevolucionismo. Ele dividiu a evolução em quatro subprocessos: 1)diferenciação, que cria subsistemas funcionais a partir do sistema principal, como discutido acima. 2)adaptação, quando esses sistemas evoluem para versões mais eficientes. 3)inclusão de elementos previamente excluídos dos sistemas dados. 4)generalização de valores, aumentando a legitimidade do sistema mais complexo.

Parsons explorou esses subprocessos em três estágios da evolução: 1)primitivo; 2)arcaico; 3)moderno. Sociedades arcaicas já teriam o conhecimento da escrita e sociedades modernas já teriam o conhecimento da lei.
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