Filosofia Pop

domingo, 15 de abril de 2012 | 13:36 | Por 4 comentários
"Sabedoria pro dia a dia - Dieta, hora extra, popularidade, pé na bunda: Uma nova visão revela como Platão, Nietzsche e outros clássicos podem dar uma mão com problemas bem atuais.

Ensinamentos de pensadores clássicos estão sendo usados como um guia para viver melhor — e prometem revolucionar até mesmo a terapia. Entenda como esses sábios do passado podem nos ajudar com os problemas de hoje."


É o que tem na capa da Revista Galileu desse mês, que uma amiga me indicou. Achei super interessante e comprei, e posso dizer que essa edição está realmente fantástica, não só essa matéria, que está interessantissima, mas também todas as outras abordadas, indico pra quem puder comprar, porque tá valendo a pena mesmo. Por isso resolvi compartilhar aqui com vocês, da seguinte forma: essa semana, a cada dois dias, vou disponibilizar um por um dos filósofos e cada um dos temas interpretados, que serão:
Fiquem de olho pra acompanhar!

Por hoje, ficamos com a introdução. Os próximos serão menores, prometo, hahah! Boa leitura.

Não faz muito tempo que ler sobre filosofia era visto como coisa de gente que pensa demais, que vive em um mundo paralelo. Mas, desde o começo da última década, uma nova geração de pensadores vem se dedicando a popularizar a disciplina. Nomes como o suíço radicado em Londres Alain de Botton, o britânico Trevon Curnow e o americano William Irvine têm mostrado que pensadores das antigas podem ajudar você com eternas questões da humanidade, claro, mas também com problemas contemporâneos, como a ditadura da magreza ou o excesso de estímulos provocado pela internet. 

Nietzsche
Nietzsche
A proposta tem feito sucesso. Basta um passeio por livrarias para constatar que a filosofia está na moda. Nas listas de mais vendidos há volumes como Aprender a Viver: Filosofia para os Novos Tempos, de Luc Ferry, e The Guide to Good Life (O Guia para a Boa Vida, sem edição brasileira), de Trevon Curnow. No Brasil, O Livro da Filosofia, de Will Buckingham, e Nietzsche para Estressados, de Allan Percy, estão no top 10 de não ficção. “O momento é propício. Vivemos em um mundo de acúmulo de informações e falta de significados. As pessoas estão se vendo forçadas a pensar filosoficamente para encontrar um sentido na vida”, afirma o australiano Peter Singer, professor de filosofia da Universidade de Princeton, nos EUA, e autor de Ética Prática.

Essa nova onda se baseia em uma antiga tradição da filosofia que reflete sobre a vida e serve de guia para a nossa existência — em vez de se preocupar com a definição de conceitos, como justiça, ética e verdade. Sábios da Antiguidade, como Sócrates, Sêneca e Epicuro, e alguns mais próximos na história, como Schopenhauer (1788- 1860) e Nietzsche (1844-1900), trabalhavam nessa linha de filosofia para o dia a dia, que renasce também em palestras, cursos e até em uma nova forma de terapia. 

Nos EUA e na Europa, já existe a chamada terapia filosófica. Em consultas, o paciente fala livremente sobre sua vida, dificuldades e interesses, e o filósofo analisa o discurso e tenta mostrar as lições que pensadores como Platão e Aristóteles têm a apresentar no caso. Os profissionais são credenciados por associações como a Sociedade Americana para Filosofia, Aconselhamento e Psicoterapia, que tem 300 terapeutas licenciados — há 10 anos, eram 90. “As sessões ajudam com um problema que está na raiz de muitas crises de depressão e ansiedade hoje: o excesso de expectativas em relação à felicidade e ao amor”, diz Lou Marinoff, analista filosófico e autor de Mais Platão, Menos Prozac!. 

Sócrates
Sócrates
Mesmo quem não pretende trocar Freud e Lacan por Sócrates ou Nietzsche tem encontrado espaço para filosofar. As instituições que oferecem cursos livres na área só se multiplicam. Com promessa de chegar ao Brasil neste ano, desde 2008 funciona em Londres a Escola da Vida, fundada por Alain de Botton, um dos expoentes da popularização da filosofia. Autor do novo livro Religião para Ateus e famoso por seu Consolações da Filosofia, de Botton mostra como as ideias de pensadores de outros tempos podem ajudar em questões atuais. Sua escola segue a proposta, com palestras e cursos sobre dieta vegetariana, equilíbrio entre trabalho e vida, como ser cool e as diferenças entre amizade real e virtual.
“A filosofia é um modo de pensar. Pode descrever qualquer assunto — sexo, bebês, dinheiro, esquis.”
Freud e Jung
Jung e Freud
Em aulas ministradas por Emrys Westacott, professor da Universidade Alfred, em Nova York, a disciplina que até pouco tempo se restringia aos corredores acadêmicos se tornou tão prosaica que chegou ao orçamento dos universitários. No curso Mão de Vaca: A Boa Vida com um Dólar por Dia, Westacott analisa propaganda e consumismo a partir de textos de filósofos como Epicuro (que extraía o máximo de prazer do mínimo). Os estudantes experimentam na prática a ideia de viver com pouco: cortam os cabelos uns dos outros (para economizar no salão) e celebram a formatura com um concurso de receitas baratas. Dois alunos já juntaram 200 sachês de ketchup para fazer uma espécie de sopa de tomate.

Com um punhado de tesouras e molhos industrializados, Westacott afirma resgatar grandes reflexões da humanidade: O que faz as pessoas felizes? O que é sabedoria?. "Assim, a filosofia recupera um espaço que havia se tornado quase somente da psicologia."

Mas, afinal, o que esses grandes sábios tem a nos dizer? Confira a seguir ensinamentos de filósofos que vão ajudar você em suas crises existenciais. Deixe o divã de lado. Sente-se no sofá e boa sessão.

Fonte: Revista Galileu, Abril 2012 Nº 249
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4 comentários:

  1. Concordo com a popularidade da filosofia nos dias atuais, mas existe ainda uma cultura passiva. As pessoas ficam esperando por pensadores para resolver nossos problemas ou nos direcionar para possíveis soluções. A cultura hierárquica do conhecimento ainda é muito intensa. Temos o hábito de valorizar apenas pensadores clássicos e não perceber a importância das nossas reflexões caseiras. A produção de conhecimento é observável em cada realização humana e em todo universo. Aí , volta o embate eterno entre sujeito e objeto.Percebo a necessidade de verticalizar reflexões para uma área de conhecimento, mas nunca devemos perder a noção ou a vontade de uma abordagem holística na vida. Haverá sempre algo complementando nossas certezas e incertezas no mundo. Alan Nascimento

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  2. É Alan, assino embaixo de tudo que voce falou. Acho ótimo essa popularização da filosofia, que eu realmente vejo que está acontecendo, porque a maioria das pessoas são acostumadas a não pensarem nem um pouco, nem acostumadas a ler, nem nada, apenas recebem toda informação que vem da tv/mídia e aceitam como verdade. Espero que com a filosofia crescendo, essas pessoas que vem se interessando passem a pelo menos pensar/refletir mais. Mas como você disse, realmente não adianta ficar só esperando a resposta dos filosofos, as pessoas precisam começar a refletir e pensar por conta própria, usar o cérebro e criar suas próprias opiniões sobre as coisas, de uma forma que venha do interior, não só de influência externa.

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  3. Meu medo em relação à popularização digamos... "indiscriminada" da filosofia é o de que, como em na maioria dos outros casos de popularização, as informações sejam passadas de forma incompleta ou inadequada. Mas sou obrigado a concordar que a disseminação de materiais como este são de grande valia na composição introspectiva de um cidadão da atualidade.

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