Cinismo

domingo, 1 de abril de 2012 | 20:33 | Por 1 comentário
Díogenes de Sínope
O Cinismo foi uma escola filosófica grega criada por Antístenes, seguidor de Sócrates, aproximadamente no ano 400 a.C. no Ginásio Cinosarge. Antístenes adotou e desenvolveu o lado ético dos ensinamentos de seu mestre Sócrates, vivendo a vida de acordo com a virtude. Nenhuma de suas obras sobreviveu, e de sua produção restaram apenas fragmentos.

Supostamente, o pensamento cínico teve origem numa passagem da vida de Sócrates, que expressava seu repúdio pelo excesso de bens materiais dos quais a Humanidade dependia para sobreviver.

A Passagem seria que, um dia, passando pelo mercado de Atenas, Sócrates teria comentado:
“Vejam de quantas coisas precisa o ateniense para viver”
Ao mesmo tempo ele demonstrava que não dependia de nada daquilo para viver. De fato, ele trazia a proposta de busca interna pela verdadeira felicidade, que para ser atingida nada disso era necessário, pois ela estava conectada aos estados da alma, não a objetos externos. — aspecto ao qual os cínicos passaram a defender, não somente com palavras, mas pelo modo de vida adotado.

Etimologia

Alguns afirmam que a origem dessa expressão deriva da palavra grega kŷőn, kynós, que significa ‘cachorro’, eles fazem alusão à vida destes animais, porque os cachorros vivem o presente sem ansiedade, e reagem com honestidade frente a verdade, que seria igual à vida pregada pelos cínicos. (o símbolo deste grupo era justamente a imagem de um cão). Mas de qualquer forma, a palavra se origina do grego Kynismós, passando pelo latim cynismu, e assim chegando até nossos dias. E hoje, como a gente sabe, essa palavra sofreu muitos desvios de significado, este termo se refere àqueles desprovidos de vergonha e de qualquer sentimento de generosidade em relação à dor do outro. Mas não por acaso, pois os cínicos desejavam se desprender de todo tipo de preocupação, inclusive com o sofrimento alheio.

 
Díogenes de Sínope

O principal defensor do Cinismo foi Diógenes de Sínope. Seu nome tornou-se praticamente sinônimo desta Escola. Estes filósofos menosprezavam os pactos sociais, defendiam o desprendimento dos bens materiais e a existência nômade que levavam.

Segundo histórias antigas, Diógenes encontrou-se com Antístenes assim que chegou a Atenas, mas este não queria a seu lado nenhum discípulo. Diógenes, porém, gradualmente convenceu-o do contrário. 

Diógenes radicalizou as propostas de Antístenes, e as exemplificou em sua própria vida, com uma persistência que sua forma de agir atravessou os séculos, impressionando os estudiosos da Filosofia. O Cinismo se tornou realmente uma filosofia de vida pra ele.

Ele radicalizava quando afirmava que as pessoas deveriam buscar seus instintos mais primários, ou seja, seu lado animal, vivendo sem objetivos, sem nenhuma carência de residência ou de qualquer conforto material. Assim, elas encontrariam seu fim maior, que seriam as virtudes morais. A este estado de desprendimento ele chamava Autarquia.

Para os cínicos, as pessoas não deveriam se preocupar, fosse com os outros, fosse com a saúde, fosse com a morte... Era o ideal do autogoverno. O cínico é um cidadão do mundo, como já se autodenominava Diógenes.

Para este filósofo, a existência submetida apenas à teoria, sem o exercício da prática, do exemplo e da ação, não tinha nenhum sentido. [demonstrou isso na vida dele, pois não apenas pregava o cinismo, e sim o vivia, ele foi um exemplo de como o homem precisa de pouco pra viver, vivia uma vida miserável, que segundo ele, era esse modo de viver o deixava livre para ser ele mesmo, pois eliminava a necessidade de coisas supérfluas.]
Para os cínicos, os prazeres enfraquecem o corpo e a alma.

Conta-se a anedota de que estava Diógenes deitado tomando o seu sol quando chegou a ele Alexandre, o Grande (imperador que dominou a Grécia) e dizendo que lhe daria tudo aquilo que ele quisesse, bastava dizer. Diógenes lhe disse, então, que gostaria que o dono do maior império até então conquistado, simplesmente saísse de sua frente, pois estava atrapalhando seu banho de sol. O Sol também pode ser entendido como a Sabedoria ou a fonte do Conhecimento. Platão usou a metáfora do sol em seu mito da caverna, significando a presença do Conhecimento e da Verdade que ilumina. Assim, Diógenes, quando pede para Alexandre não se interpor entre ele e o Sol, estava com esse ato demonstrando o quao pouco ele necessitava para viver bem.


Diógenes afirma que a música, a física, a matemática, a astronomia e a metafísica, que eram conhecimentos supervalorizados da época, eram inúteis, pois são formuladores de conceitos, muito alem dos conceitos, o que importaria seria a ação, o comportamento e o exemplo. Portanto esses conhecimentos não teriam nenhuma utilidade para a jornada interior do homem.

A filosofia cínica é unicamente uma escolha de vida, a escolha da liberdade total e absoluta ou da independência das necessidades inúteis, da recusa ao luxo e a vaidade presentes na vida social.

Os cínicos, mais uma vez seguindo o estilo de Sócrates, não deixaram nenhum legado escrito.
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